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segunda-feira, 27 de abril de 2009

A Farsa Social Mundial

O Fórum Social Mundial foi um espetáculo. Um espetáculo promovido por grupos de varias tendências, de diversos lugares, diversos (por vezes conflitantes) “mundos possíveis”. Foi uma grande oportunidade para toda a “esquerda” aparecer. Nenhum grupo “sério” podia deixar escapar a oportunidade de ir ao Fórum Social Mundial, balançar sua bandeira, aparecer na TV, nos jornais, entregar seu panfletinho “revolucionário”, tentar angariar militantes para continuarem tocando suas “lutas”. Nem mesmo os ex-companheiros, agora presidentes, faltaram à festa. Lula, Morales, Chavez passavam em carreata, protegidos por um grande aparato policial também queriam aparecer e chamaram para si todos os holofotes diante de uma platéia selecionada a dedo. Por debaixo da bandeira “um outro mundo é possível” milhares e milhares de partidos, sindicatos, organizações de diversas matizes se fragmentavam, disputavam e competiam pra ver quem aparecia mais.

Enquanto ONGs, partidos da “esquerda”, burocratas, movimentos e governos de todo o mundo discutiam “um outro mundo possível”, o mundo real se apresentava. Nos bairros da periferia de Belém foi imposto um Estado de exceção, com violentas normas que visavam “disciplinar a diversão publica” durante os dias de realização do FSM. Nos bairros Terra Firme, Guamá e Canudos depois de 22 horas era proibido circular pelas ruas. Os bares estavam fechados e qualquer aglomeração de pessoas era entendida com afronta à determinação do Governo do Estado e da Prefeitura Local no que eram prontamente reprimidos. Inúmeras denuncias de violência contra a população de Belém foram ouvidas por quem quis ouvir. Espancamentos, prisões arbitrarias, expulsão da população de rua, portões fechados, seleção econômica. É este o mundo que queremos?

Importante comentar sobre o grande aparato policial presente nas ruas de Belém nos dias de realização do FSM. Principalmente naqueles bairros que se localizavam na “Zona Vermelha” da cidade, dentro da divisão feita pela Prefeitura. A “Zona Vermelha” não por acaso correspondia justamente aos bairros mais pobres de Belém, bairros cuja a carência era visível em suas ruas de terra, onde palafitas se misturavam aos igarapés aonde o esgoto corre a céu aberto e que se localizam em frente às Universidades aonde se realizaram as atividades. Durante o dia quem saía às ruas destes bairros podia ver grandes desfiles policiais, com vinte, trinta viaturas, motos e helicópteros, com os “homens da lei” brutalmente armados, escarrando a força de uma policia política a serviço de um Estado burguês, intimidando, constrangendo e violentando a população local. Portões fechados, vigiados e controlados por seguranças e policiais para garantir o apartheid. Só entravam aqueles que portassem pulseiras ou crachás, só entraram aqueles que pagaram a inscrição. O critério que prevaleceu foi o econômico e este mundo de novo não tem nada. Talvez só a roupa, a velha roupa nova.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Enquanto isso, num país não muito distante

Noticia de jornal: produção de veículos retoma ritmo e cresce 34% sobre fevereiro.

Os operários sorriem e pensam que ganharam mais um mês de tranqüilidade e vão tentar dormir tranqüilos. Esperam garantias de que seu emprego está seguro. Mesmo que pra isso tenham que reduzir seus já reduzidos salários e direitos.

O povo nas ruas, acha que não tem nada com isso mas também não quer perder seu emprego de bobeira torce para que a “crise” acabe logo. Mesmo que para isso tenha que apertar um pouco mais o orçamento para pagar os novos impostos criados pelos Governos.

A classe média corre para as revendedoras tentando garantir de todas as formas a ultima oportunidade dada pelo Governo para que ele troque seu automóvel por um modelo mais novo e confortável. Mesmo que para isso tenha que deixar de lado as férias e os planos de viagem.

O Governo sorri e pensa em garantir mais alguns dias de tranqüilidade, afinal a eleição se aproxima. Mesmo que para isso tenha tido de renunciar a milhões de reais em impostos para garantir que as vendas não se abalassem com a “crise”.

O empresário que vai ao seu escritorio de helicoptero sentado no sofá de sua casa, abre uma garrafa de uísque, olha para todos aqueles coitados morrendo de medo em suas casa assistindo ao Jornal de sua própria emissora e pensa: Rapaz, a coisa tá saindo melhor que a encomenda...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"O arroto" Edição Comemorativa de Encerramento







Texto Integral do Fanzine "O arroto". Edição comemorativa de morte/enterro/assasinato deste fanzine horroroso, tosco, acéfalo, Pasquim de quinta categoria e vários outros elogios que ele recebeu durante sua curta e intensa existencia.

Esta edição contém uma estória em quadrinhos, algumas colagens e textos, inclusive um convidativo para a Intervenção Natalina dos Doendes em greve queimando o cretino do Papai Noel.